Usiminas (USIM5): BofA e Safra Rebaixam Recomendação por Cus | MinhaGrana Blog
#Usiminas#USIM5#Recomendação#Bank of America#Banco Safra#Análise Financeira
Usiminas (USIM5): BofA e Safra Rebaixam Recomendação por Custos e Caixa
Bank of America e Safra rebaixam recomendação da Usiminas (USIM5). Preocupações com custos elevados e geração de caixa limitada limitam o potencial de alta das ações.
Gerado por IA
7 min de leitura
63% Similaridade
Revisado ✓
Usiminas (USIM5): Bank of America e Safra Rebaixam Recomendação em Meio a Preocupações com Custos e Geração de Caixa
São Paulo, 13 de abril de 2026 – O mercado financeiro reagiu com cautela nesta segunda-feira (13) a um duplo rebaixamento na recomendação das ações da Usiminas (USIM5). O Bank of America (BofA) e o Banco Safra, duas importantes casas de análise, alteraram suas perspectivas para a siderúrgica, indicando um cenário mais desafiador no horizonte. O BofA transitou de uma recomendação de compra para neutra, enquanto o Safra reduziu sua visão de neutra para venda. Essa mudança de tom por parte das instituições financeiras ocorre após um período de expressiva valorização dos papéis da Usiminas, levantando questionamentos sobre o potencial de alta futura.
Destaques
Rebaixamento Duplo: Bank of America e Safra ajustaram suas recomendações para Usiminas (USIM5) de otimista/neutra para neutra/venda, respectivamente, citando preocupações com custos e geração de caixa.
Valuation e Incorporação de Notícias Positivas: Analistas apontam que a forte alta recente das ações da Usiminas pode ter precificado grande parte dos fatores positivos, como a expectativa de medidas antidumping e a melhora nos preços do aço plano.
Pressão em Custos e Caixa: A elevação nos custos de matérias-primas, o programa de investimentos e a normalização do capital de giro neste ano são apontados como fatores que limitam a geração de caixa da companhia.
Análise Detalhada das Recomendações
A decisão do Bank of America e do Safra de rebaixar a recomendação para a Usiminas (USIM5) nesta segunda-feira (13) reflete uma reavaliação do cenário para a siderúrgica. Os papéis da empresa chegaram a cair até 3,47% no pregão, atingindo a mínima de R$ 6,96, em reação às novas análises divulgadas. Por volta das 12h38 (horário de Brasília), a baixa ainda era de 3,05%, a R$ 6,99, figurando entre as maiores quedas do Ibovespa.
Bank of America: De Compra para Neutro
O Bank of America (BofA) ajustou sua recomendação para a Usiminas de compra para neutra, com um preço-alvo de R$ 8. A justificativa para essa mudança reside na avaliação de que os catalisadores recentes, como os aumentos de preços do aço plano e as medidas protecionistas, já parecem estar amplamente precificados nas ações. O banco estima que a empresa negocie a um múltiplo de valor-empresa sobre Ebitda projetado para o atual exercício em torno de 5,3 vezes. Essa avaliação sugere que, diante das incertezas remanescentes, a ação não oferece um desconto suficientemente atraente para sustentar uma recomendação de compra.
Uma das preocupações centrais do relatório do BofA é o risco de queda nos resultados do segundo trimestre, caso os aumentos de preços esperados não se concretizem. Isso indica que a tese de investimento atual estaria dependente de um cenário construtivo que ainda precisa ser confirmado. Caso a melhora de preço venha abaixo do esperado, a pressão de custos pode dominar a narrativa. O banco também destacou que a geração de caixa segue fraca, especialmente diante da normalização do capital de giro prevista para este ano.
Safra: De Neutro para Venda
O Banco Safra adotou uma postura ainda mais cautelosa, rebaixando a recomendação de neutro para venda. Apesar de ter elevado o preço-alvo para o fim do atual exercício de R$ 6,20 para R$ 7,70, o banco reitera uma visão de que o potencial de valorização adicional é limitado. Segundo os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, a ação da Usiminas superou o desempenho de pares como a Gerdau e o Ibovespa em 36% e 29%, respectivamente, desde outubro do ano passado. Essa forte valorização, impulsionada em parte pela expectativa de medidas antidumping, levou o mercado a incorporar boa parte desse otimismo.
O Safra projeta um FCF yield (rendimento do fluxo de caixa livre) negativo em 5% para o atual exercício, com uma recuperação gradual para 3% em 2027 e 11% em 2028. Essa projeção é influenciada pelo aumento dos custos de matérias-primas, um programa mais intenso de investimentos (capex) e o menor uso de operações de forfaiting, fatores que limitam a capacidade da companhia de converter melhora operacional em fluxo de caixa livre. O banco também antecipa uma possível piora nas perspectivas de resultados para o segundo trimestre.
Fatores que Influenciam a Reavaliação do Mercado
A mudança de recomendação por parte do BofA e do Safra não ocorre em um vácuo. Ela reflete uma reavaliação do mercado sobre a tese de investimento na Usiminas, especialmente após a forte alta acumulada.
Ações já refletem o otimismo?
Tanto o BofA quanto o Safra reconhecem que existem fatores construtivos no cenário da siderúrgica, como a expectativa de melhora nos preços do aço plano e o suporte operacional. No entanto, ambos os bancos avaliam que a ação já embute uma dose elevada desse otimismo. A forte valorização desde o segundo semestre do ano passado, sustentada em parte pela melhora das expectativas para o aço plano no Brasil e pela leitura de que medidas antidumping poderiam favorecer o ambiente competitivo da companhia, sugere que grande parte dessas notícias positivas já foi absorvida pelo preço. O investidor, agora, passa a questionar se o preço atual ainda compensa os riscos que persistem no horizonte.
Pressão de Custos e Geração de Caixa
Um ponto que emerge com força nos relatórios é a preocupação com a geração de caixa. O aumento dos custos de matérias-primas, como carvão e placas, juntamente com um cenário de investimentos (capex) robusto e a normalização do capital de giro neste ano, exerce pressão sobre a capacidade da Usiminas de gerar caixa livre. O Safra, por exemplo, estima um FCF yield negativo de 5% para o atual exercício. O programa acelerado de investimentos, com desembolsos previstos entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão neste ano, somado ao menor uso de operações de forfaiting, também impacta a geração de caixa. Embora a empresa aponte para a execução de projetos focados em disciplina de custos, como o projeto PCI e o projeto do gasômetro, e o desenvolvimento do projeto Compactos para fortalecimento da produção de minério de ferro a longo prazo, os analistas veem essa capacidade de geração de caixa como limitada no curto e médio prazo.
Perspectivas para o Preço do Aço e Cenário Competitivo
A expectativa de preços mais altos para o aço plano no Brasil ainda é um vetor positivo para a Usiminas. Medidas protecionistas e a demanda mais firme no início do ano impulsionaram os preços. Contudo, na visão do BofA e do Safra, esse cenário de preços mais favoráveis não é suficiente para neutralizar a pressão dos custos elevados e as incertezas sobre a geração de caixa.
A implementação de tarifas antidumping, que já impulsionaram as ações da Usiminas em 65% desde agosto de 2025, parece ter seu impacto totalmente precificado, com pouca margem para novas revisões positivas de lucro. O mercado agora foca em fatores como a sustentação de preços em um ambiente ainda desafiador para a demanda e o comércio.
Conclusão: Ajuste de Expectativas no Mercado
Em suma, a Usiminas (USIM5) enfrenta um momento de ajuste de expectativas no mercado acionário. Embora a empresa ainda conte com fundamentos que sustentam uma narrativa operacional, a percepção é de que a ação já não oferece o mesmo grau de assimetria positiva que motivava teses anteriores. A combinação entre oportunidade e risco, com custos crescentes e geração de caixa sob pressão, explica a recente queda das ações e o aumento da cautela entre analistas e investidores. O mercado passa a avaliar se o patamar atual das cotações ainda compensa os riscos persistentes no horizonte.