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JBS Pede Capital Fechado no Brasil em Meio à Migração de Empresas para Bolsas nos EUA
JBS S.A. solicita fechamento de capital no Brasil, refletindo tendência de empresas brasileiras que buscam listagem e liquidez nos EUA. Saída impacta B3.
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JBS Pede Capital Fechado no Brasil, Refletindo Tendência de Empresas em Busca de Bolsas nos EUA
São Paulo, 30 de setembro de 2026 – O mercado de ações brasileiro, a B3, observa um movimento contínuo de empresas buscando mercados internacionais, com destaque para os Estados Unidos, para listagem e captação de recursos. A recente solicitação da JBS S.A. para cancelar seu registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e retornar a um modelo de capital fechado no Brasil é o mais recente capítulo dessa tendência, que tem levado diversas companhias a reavaliarem suas estratégias de listagem.
Destaques
A JBS S.A. protocolou um pedido formal para deixar de ser uma companhia aberta na CVM, buscando operar como empresa de capital fechado no Brasil.
Este movimento da JBS se insere em um contexto mais amplo de empresas brasileiras que têm optado por listar suas ações em bolsas nos Estados Unidos, buscando maior liquidez, visibilidade e acesso a um pool mais amplo de investidores.
A saída da JBS S.A. da B3 como companhia aberta, embora a JBS N.V. continue com BDRs negociados no Brasil, levanta questões sobre a liquidez e o dinamismo do mercado acionário local.
JBS S.A. Busca Fechamento de Capital no Brasil
A JBS S.A., uma das maiores empresas de alimentos do mundo, deu um passo significativo em sua reorganização societária ao solicitar à CVM o cancelamento voluntário de seu registro como emissora de valores mobiliários na categoria A. A notícia, divulgada em 21 de setembro de 2026, indica que, caso aprovado pela autarquia, a empresa passará a ter capital fechado no Brasil. Esta decisão, contudo, não representa uma saída completa do grupo da bolsa brasileira. A JBS N.V., controladora sediada na Holanda, continuará com seus BDRs (Brazilian Depositary Receipts) negociados na B3, permitindo que investidores brasileiros ainda tenham acesso aos papéis da companhia.
A reorganização que culminou neste pedido teve início em junho de 2025, quando a JBS S.A. deixou de ter suas ações negociadas diretamente na B3. Naquela ocasião, os acionistas brasileiros passaram a deter BDRs da JBS N.V., cujas ações são negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE). Essa estrutura de dupla listagem visa otimizar o acesso aos mercados de capitais global e americano, ao mesmo tempo em que mantém a presença no mercado doméstico através dos BDRs.
A transição da JBS S.A. para capital fechado no Brasil tem implicações diretas para os detentores de debêntures da empresa. Segundo comunicado divulgado pela JBS, a negociação desses títulos de dívida, após o cancelamento do registro, ficará restrita a investidores profissionais, como bancos e fundos de investimento, que possuam mais de R$ 10 milhões aplicados. Essa medida visa adequar a estrutura de captação de recursos da subsidiária brasileira à sua nova condição.
Para o mercado acionário brasileiro, a saída da JBS S.A. como companhia aberta representa a perda de um ativo de alta liquidez. Em 2025, até maio, os papéis da JBS movimentavam, em média, R$ 421,3 milhões por dia na B3, respondendo por uma parcela significativa do volume financeiro total da bolsa. A consultoria Elos Ayta apontou que, em um cenário de recuperação lenta do volume negociado na B3, a retirada de um player com essa magnitude de liquidez aprofunda desequilíbrios estruturais.
A Onda de Empresas Brasileiras Rumo aos EUA
O movimento da JBS S.A. não é um caso isolado. Pelo contrário, reflete uma tendência crescente de empresas brasileiras que buscam listar suas ações em bolsas nos Estados Unidos. Fatores como a maior liquidez, o acesso a um pool mais diversificado de investidores, a visibilidade internacional e múltiplos de avaliação potencialmente mais atrativos impulsionam essa migração.
Dados recentes indicam que o número de empresas brasileiras listadas nos Estados Unidos tem aumentado. Em julho de 2026, por exemplo, o número chegou a 41, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria. Empresas como Nubank, StoneCo, PagSeguro e Afya já optaram diretamente por bolsas estrangeiras, enquanto outras, como o Banco Inter, que saiu da B3 em 2022, passaram a emitir ações nos EUA através de sua holding Inter&Co. A JBS N.V. também se juntou a essa lista ao estrear na Bolsa de Nova York em junho de 2025.
A busca por mercados internacionais é vista como um movimento estratégico para destravar valor e alcançar valuations mais próximos aos de seus pares globais. A JBS, por exemplo, ao listar suas ações na NYSE, almeja múltiplos de avaliação mais alinhados aos de concorrentes como a Tyson Foods. Essa estratégia também permite o acesso a fundos passivos globais, aumentando a visibilidade dos ativos.
Contexto Macroeconômico e a B3
A saída de empresas da B3 e a busca por mercados estrangeiros ocorrem em um cenário complexo para o mercado de capitais brasileiro. Entre 2025 e 2026, cerca de 42 empresas fecharam capital no Brasil, desconsiderando falências e fusões. Especialistas atribuem essa debandada a uma combinação de fatores, incluindo juros elevados, baixa avaliação das ações e a busca por maior flexibilidade operacional e financeira.
O patamar da taxa Selic, que se mantém elevado, torna a renda fixa mais atraente para investidores, desviando capital da bolsa. Além disso, empresas com alta alavancagem veem seus custos financeiros aumentarem, impactando a rentabilidade. A oportunidade de recompra de ações por controladores a preços descontados também se apresenta como um incentivo para o fechamento de capital, consolidando o controle e buscando valorização futura.
Apesar dos desafios, o Ibovespa, principal índice da B3, tem apresentado volatilidade. Em 29 de setembro de 2026, o índice fechou em alta, influenciado por dados macroeconômicos e pela menor pressão sobre os juros futuros. Contudo, o "índice do medo" (VIX Brasil) atingiu um nível recorde em 28 de setembro de 2026, refletindo a expectativa de maior volatilidade devido à proximidade das eleições presidenciais e a tensões geopolíticas.
O Futuro das Ações Brasileiras no Cenário Global
A decisão da JBS e de outras empresas em buscar mercados internacionais levanta um debate sobre o futuro do mercado acionário brasileiro. Enquanto a B3 busca atrair e reter empresas, a tendência de listagem em bolsas estrangeiras, especialmente nos EUA, parece consolidada. A busca por maior liquidez, acesso a capital global e valuations mais competitivos são fatores determinantes nesse processo.
A capacidade da B3 de se adaptar e oferecer um ambiente cada vez mais atrativo para as companhias será crucial para reverter ou, ao menos, mitigar essa tendência. A análise do comportamento de empresas como a JBS e de seus acionistas continuará sendo um termômetro importante para entender as dinâmicas do mercado de ações brasileiro frente ao cenário global cada vez mais interconectado.
A integração de empresas brasileiras em bolsas internacionais não significa um abandono total do mercado local, especialmente com a continuidade da negociação de BDRs. No entanto, a concentração de listagens e volumes em mercados mais profundos como o americano pode, a longo prazo, impactar a profundidade e a relevância da B3 em escala global. A estratégia da JBS, de manter a presença via BDRs, pode ser um modelo a ser observado por outras companhias que buscam o melhor dos dois mundos: acesso ao capital internacional e manutenção de um canal de negociação no Brasil.