Fitch: Credibilidade Fiscal do Brasil em 2026 Depende de Eleições e Ação do Congresso
Fitch avalia que a credibilidade fiscal do Brasil em 2026 está atrelada às eleições e à capacidade do Congresso em aprovar medidas. Proposta orçamentária de 2027 sinaliza dificuldades no ajuste.
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A agência de classificação de risco Fitch avaliou que a credibilidade fiscal do Brasil em 2026 e nos próximos anos estará intrinsecamente ligada aos desdobramentos das eleições e à capacidade do Congresso Nacional em aprovar medidas de consolidação fiscal.
A proposta orçamentária para 2027 sinaliza dificuldades na consolidação fiscal brasileira, com um ritmo de ajuste considerado insuficiente pela Fitch para estabilizar a dívida pública do país.
A nota de crédito do Brasil, atualmente em 'BB' com perspectiva estável, dependerá da credibilidade e sustentabilidade do ajuste fiscal, que serão moldadas pelas decisões políticas e pela disposição do Legislativo em implementar as reformas necessárias.
Fitch Avalia que Credibilidade Fiscal do Brasil Dependerá das Eleições e do Congresso
Brasília, 10 de setembro de 2026 – A agência de classificação de risco Fitch Ratings emitiu um parecer nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, destacando que a trajetória da credibilidade fiscal do Brasil estará fortemente atrelada aos resultados das próximas eleições e à atuação do Congresso Nacional. Em sua análise, a Fitch aponta que a proposta orçamentária apresentada para o ano de 2027 evidencia os desafios enfrentados pelo país na consolidação de suas contas públicas, com um ritmo de ajuste fiscal que, segundo a agência, se mostra insuficiente para promover a estabilização da dívida pública.
A avaliação da Fitch ressalta que o impacto sobre a nota de crédito do Brasil, atualmente classificada em 'BB' com perspectiva estável, será diretamente influenciado pela credibilidade e pela sustentabilidade das medidas de ajuste fiscal que forem propostas e implementadas. Esses fatores, por sua vez, serão moldados pelo cenário político pós-eleitoral e pela disposição do Congresso em aprovar as reformas e medidas necessárias para alcançar uma consolidação fiscal adicional e mais robusta.
Proposta Orçamentária de 2027: Um Sinal de Dificuldades Fiscais
A proposta orçamentária para 2027, analisada pela Fitch, foi identificada como um indicativo das dificuldades que o Brasil enfrenta para alcançar a consolidação fiscal desejada. O ritmo de ajuste fiscal previsto é considerado pela agência como insuficiente para reverter a trajetória de crescimento da dívida pública, um dos principais pontos de atenção para a manutenção da estabilidade econômica e da confiança dos investidores.
Segundo a Fitch, a consolidação fiscal tem sido um desafio persistente para o Brasil. Embora o país tenha registrado avanços em algumas áreas, como a reforma tributária aprovada em 2025 que buscou reequilibrar a carga tributária, a gestão das despesas públicas e a redução do déficit primário continuam sendo pontos cruciais. A agência projeta que o déficit fiscal geral permanecerá elevado, impactando diretamente a relação dívida/PIB. Por exemplo, a Fitch esperava que o déficit nominal do governo geral permanecesse em 8,6% do PIB em 2026, um aumento em relação a 2025, e que a dívida bruta do governo geral superasse 82% do PIB em 2026, em comparação com uma mediana de 53,6% para a categoria 'BB'.
O Papel Crucial das Eleições e do Congresso
A Fitch enfatiza que o cenário político é um fator determinante para a credibilidade fiscal do país. As próximas eleições, previstas para ocorrerem em outubro deste ano, e a subsequente composição do Congresso Nacional terão um papel fundamental na definição das políticas econômicas e fiscais a serem adotadas.
A agência observa que a incerteza fiscal é um risco macroeconômico mais amplo, e as perspectivas para reformas estruturais que abordem os desequilíbrios subjacentes provavelmente se tornarão mais claras apenas após o período eleitoral. Dependendo do resultado eleitoral, as abordagens para o ajuste fiscal podem variar significativamente. Um cenário de continuidade política poderia implicar em políticas sociais e possivelmente um apetite limitado por reformas de gastos. Por outro lado, uma administração com uma plataforma mais voltada ao mercado poderia focar em cortes de impostos e privatizações, embora a implementação dessas medidas permaneça incerta.
A disposição do Congresso em aprovar medidas de ajuste fiscal, como cortes de gastos ou reformas previdenciárias e tributárias, será igualmente importante. A capacidade de construir consenso político para a viabilização dessas reformas é vista como um dos maiores desafios para o próximo governo, independentemente de quem vença a eleição presidencial de 2026.
A Nota 'BB' e a Perspectiva Estável
Atualmente, o Brasil ostenta o rating 'BB' com perspectiva estável, concedido pela Fitch. Essa classificação indica que o país está dois degraus abaixo do grau de investimento, que é atribuído a nações consideradas de baixo risco de calote. A perspectiva estável sugere que a agência não prevê mudanças significativas na nota de crédito no curto a médio prazo, desde que os fundamentos econômicos e fiscais se mantenham dentro das expectativas.
No entanto, a Fitch reitera que a manutenção dessa perspectiva estável e a possibilidade de uma futura elevação do rating dependem diretamente da capacidade do país em demonstrar credibilidade e sustentabilidade em seu plano de ajuste fiscal. A agência já havia reafirmado o rating 'BB' em junho deste ano, com perspectiva estável, mas com alertas sobre a persistência de déficits fiscais elevados e a necessidade de reformas estruturais.
Cenário Econômico e Desafios Futuros
Além das questões fiscais e políticas, a Fitch também comentou sobre as perspectivas econômicas para o Brasil. A agência elevou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,1% em 2026, impulsionado pelo desempenho positivo da economia no primeiro trimestre, pela taxa de desemprego em mínima histórica e pelos ganhos salariais reais que sustentam o consumo. O dinamismo dos setores de agricultura e extrativismo também contribuiu para esse cenário.
Contudo, a Fitch pondera que um menor impulso fiscal no ano seguinte, considerando o fim do período eleitoral, deve pesar sobre a atividade econômica. Para 2027, a projeção de crescimento foi revisada para 1,7%, com uma leve recuperação para 2% em 2028. A inflação também é um ponto de atenção, com projeções indicando que ela possa subir para 5% até o final de 2026, o que pode levar o Banco Central a ser mais cauteloso no ritmo de cortes da taxa Selic. A Fitch projetou que a taxa básica de juros encerre 2026 em 13%, acima dos 12% previstos anteriormente.
A agência também destacou que, apesar de progressos em algumas áreas como melhorias em receitas estruturais, o crescimento das despesas tem compensado os ganhos fiscais. O teto de gastos, embora existente, tem mostrado limitações em conter o avanço das despesas. A incerteza fiscal permanece como um risco macroeconômico, e a clareza sobre reformas estruturais só deve surgir após as eleições.
Em suma, a análise da Fitch sobre a credibilidade fiscal do Brasil em 2026 reforça a interdependência entre a estabilidade econômica e o cenário político-institucional. A capacidade do país em navegar pelas complexidades eleitorais e em garantir a aprovação e implementação de medidas fiscais críveis será o fator determinante para a sua nota de crédito e para a confiança dos mercados.