FIIs: Gestores Buscam Renda Previsível e Menor Risco com Foco em Recebíveis e Logística
Gestores de FIIs priorizam renda previsível e menor risco em junho. Fundos de recebíveis e logística ganham destaque em meio a juros altos e volatilidade global.
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Destaques
A busca por renda previsível e menor risco domina as estratégias de alocação em fundos imobiliários para junho.
Fundos de recebíveis e o setor de logística emergem como as apostas preferenciais dos gestores, refletindo a busca por estabilidade e performance em um ambiente macroeconômico desafiador.
Grandes instituições financeiras, como XP, BTG Pactual e Santander, convergem em suas recomendações, indicando uma tendência clara no mercado de FIIs.
O Cenário Atual: Juros Altos e Volatilidade Global
O ambiente macroeconômico apresenta desafios significativos para o mercado financeiro. A persistência de juros elevados, embora com expectativas de afrouxamento monetário gradual, e a volatilidade observada nos mercados globais, influenciada por tensões geopolíticas e incertezas econômicas, criam um cenário de cautela para os investidores. Essa conjuntura tem levado os gestores a reavaliar suas estratégias, buscando ativos que ofereçam maior segurança e previsibilidade de retorno.
A Ascensão dos Fundos de Recebíveis
Diante do cenário de juros altos, os fundos de recebíveis (também conhecidos como fundos de papel) ganham destaque como uma das principais apostas para junho. Esses fundos investem em títulos de crédito imobiliário, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), e se beneficiam diretamente da taxa de juros vigente, oferecendo rendimentos atrativos e previsíveis.
Relatórios de casas como XP, BTG Pactual e Santander indicam uma concentração significativa de alocações nesse segmento. A XP, por exemplo, manteve sua carteira com 41% de exposição em fundos de recebíveis, destacando que fundos atrelados ao CDI permanecem atrativos em um cenário de juros elevados. O BTG Pactual, por sua vez, aloca 50% de sua carteira recomendada em fundos de recebíveis, citando a resiliência desse segmento em um ambiente de juros mais altos e a busca por proventos mais previsíveis. O Santander também mantém uma exposição relevante em recebíveis, combinando-os com outros ativos para equilibrar renda e potencial de ganho de capital.
Especialistas apontam que fundos de recebíveis indexados ao IPCA+ também oferecem proteção contra a inflação e potencial de valorização em cenários de queda nas taxas reais de juros. A análise do mercado sugere que esses fundos, em geral, negociam com desconto em relação ao valor patrimonial, o que pode representar uma oportunidade adicional para os investidores.
No segmento de "tijolo" (fundos que investem diretamente em imóveis físicos), a logística se consolida como um dos setores preferidos para junho. A forte demanda impulsionada pelo e-commerce e a resiliência operacional têm mantido a vacância em patamares baixos, garantindo a geração de renda estável.
Diversas casas de análise reforçam a aposta em logística. A XP, por exemplo, destina 19% de sua carteira a esse segmento, buscando veículos com portfólios de alta qualidade e menor volatilidade. O BTG Pactual, embora com menor peso em sua carteira (22%), também mantém exposição a galpões, buscando combinar fundos de papel com fundos de tijolo descontados e com potencial de recuperação. O fundo TRXF11 tem sido destaque, com a aquisição de oito galpões logísticos por R$ 145 milhões, expandindo sua atuação em operações de last-mile e reforçando seu guidance de dividendos.
A análise da Cushman & Wakefield, divulgada no primeiro trimestre, já indicava os fundos imobiliários como compradores relevantes em logística, escritórios e shoppings, com fundos como XPML11, HGLG11 e BTLP11 em evidência. O setor logístico tem demonstrado forte absorção de área bruta locável, com recordes em galpões de alto padrão em São Paulo, reforçando a confiança de analistas, como os do BTG Pactual, na trajetória do segmento.
Outros Segmentos em Foco
Apesar da predominância de recebíveis e logística, outros segmentos também aparecem nas carteiras recomendadas, embora com menor peso. Fundos de shoppings, lajes corporativas e fundos multiestratégia (FOFs) compõem as alocações de instituições como Santander e XP. O Santander, por exemplo, busca um equilíbrio entre renda e ganho de capital, combinando fundos de recebíveis com posições em fundos de hedge, logística, shoppings, escritórios e híbridos. A XP, por sua vez, destina 18% de sua carteira a FOFs e multiestratégia, visando flexibilidade em um cenário incerto.
Desempenho e Ajustes nas Carteiras
Em maio, o mercado de fundos imobiliários apresentou desempenho misto, com o IFIX, principal índice do setor, registrando uma leve queda. No entanto, diversas carteiras recomendadas por casas de análise superaram o índice de referência, demonstrando a assertividade das estratégias adotadas. A carteira da XP, por exemplo, registrou queda de 0,64% em maio, superando o IFIX, que recuou 1,33%. No acumulado do ano, essa carteira avança 4%, contra 2,70% do benchmark.
As casas de análise têm promovido ajustes pontuais em suas carteiras para junho. A XP reduziu a participação em fundos de tijolo com menor potencial de carrego e aumentou a exposição a veículos de alta qualidade e menor volatilidade. O BTG Pactual realizou ajustes táticos, reduzindo a posição em um fundo de recebíveis para realocar em ativos com melhor assimetria e reforçando a exposição a um veículo de shopping center. A Genial Investimentos manteve seus ativos inalterados, mas ajustou os pesos das posições, reduzindo a participação em um fundo e elevando em outro com maior perspectiva de retorno.
Perspectivas para o Restante do Ano
Apesar do cenário desafiador, as perspectivas para o mercado de fundos imobiliários no restante do ano permanecem sob observação. A expectativa de uma eventual queda na taxa Selic pode impulsionar a atratividade do setor, especialmente para fundos de tijolo. No entanto, a velocidade e a magnitude desse movimento dependerão de fatores macroeconômicos e da condução da política monetária.
A prioridade em renda previsível e menor risco reflete a prudência dos gestores diante das incertezas. A contínua relevância dos fundos de recebíveis, aliada à solidez do setor logístico, sugere que esses segmentos continuarão a ser pilares importantes nas estratégias de investimento em fundos imobiliários, buscando entregar retornos consistentes em um ambiente de mercado em constante evolução.