Energia Elétrica: GD Impulsiona Expansão e Investimentos Rumo a 2036
Setor de energia elétrica projeta expansão de 39% até 2036, com GD respondendo por 38% da capacidade. Investimentos chegam a R$ 3,3 trilhões.
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Análise Setorial: Setor de Energia Elétrica e Geração Distribuída com Projeções de Expansão até 2036
O setor de energia elétrica brasileiro está posicionado para uma década de transformações significativas, com projeções de expansão robusta e uma crescente relevância da geração distribuída (GD). O Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), delineia um cenário de investimentos substanciais e mudanças estruturais, impulsionados pela eletrificação, novas tecnologias e a busca por maior sustentabilidade.
Destaques
A geração distribuída (GD), majoritariamente solar fotovoltaica, deverá responder por aproximadamente 38% da expansão da capacidade instalada de geração elétrica no Brasil até 2036, adicionando cerca de 41,4 GW.
O investimento total no setor de energia está projetado em R$ 3,3 trilhões entre 2027 e 2036, com a geração centralizada concentrando a maior parte dos recursos, mas com a GD recebendo um aporte significativo de R$ 96 bilhões.
O consumo total de eletricidade no país deve crescer cerca de 39% até 2036, atingindo 979 TWh, impulsionado por fatores como eletromobilidade, data centers e a eletrificação geral da economia.
Expansão da Capacidade Instalada e o Papel da Geração Distribuída
O PDE 2036 projeta que a capacidade total de geração elétrica do Brasil saltará de aproximadamente 272 GW em 2026 para 382 GW em 2036. Deste total, a micro e minigeração distribuída (MMGD) tem previsão de acrescentar 41,4 GW, representando uma parcela expressiva da expansão. A energia solar fotovoltaica é apontada como o principal motor da GD, com a expectativa de adicionar 41,1 GW nesse segmento.
Essa expansão fará com que a capacidade instalada de MMGD suba de cerca de 50 GW em 2026 para 92 GW em 2036. Consequentemente, a participação da GD na geração total de eletricidade do país aumentará de 8,2% para 10,9% ao final da próxima década. Em julho de 2026, a geração distribuída já somava 52,9 GW de potência solar distribuída instalada, com mais de 4,6 milhões de sistemas conectados, representando cerca de 19,4% da matriz elétrica brasileira naquele momento. A expectativa é que a GD continue crescendo, com projeções indicando um aumento de cerca de 15% na potência instalada do segmento em 2026.
O setor de energia brasileiro está no radar de investimentos significativos para os próximos dez anos. As estimativas apontam para um montante de R$ 3,3 trilhões em aportes financeiros entre 2027 e 2036, focados na modernização e ampliação da infraestrutura energética nacional. Desse total, R$ 415 bilhões estão destinados à geração centralizada, que engloba investimentos em parques eólicos, usinas solares de grande porte e fontes de base. A geração distribuída, por sua vez, deverá receber R$ 96 bilhões, e a transmissão contará com R$ 127 bilhões.
Apesar do avanço da GD, as usinas centralizadas continuarão sendo o motor principal do aporte financeiro no setor. No entanto, o planejamento oficial reconhece a necessidade de flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) frente à intermitência das fontes renováveis, o que inclui investimentos em armazenamento e mecanismos de resposta da demanda.
Demanda e Transformações no Consumo
O consumo total de eletricidade no Brasil está projetado para crescer aproximadamente 39% até 2036, passando de 702 TWh em 2026 para 979 TWh em 2036, com uma taxa média de crescimento anual de 3,4%. Esse aumento é impulsionado por diversos fatores, incluindo o crescimento econômico, a eletrificação da frota de veículos e o avanço de novas tecnologias e setores, como os data centers. A demanda elétrica dos data centers, por exemplo, deve crescer dez vezes, atingindo 30 TWh em 2036.
A geração distribuída também contribui para essa dinâmica, tornando a relação entre quem produz e quem consome energia mais interativa. A Lei nº 14.300/2022, conhecida como o marco legal da geração distribuída, estabeleceu regras para o setor, incluindo um calendário de transição para o custo do uso da rede (o chamado "fio B"). Embora a Lei 15.269/2025 tenha trazido atualizações, ela preservou o núcleo do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) e o cronograma de transição do Fio B, reorganizando a forma de custeio de componentes tarifárias pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
Fontes Renováveis e Desafios do Sistema
O PDE 2036 prevê a expansão de diversas fontes renováveis. Além do forte crescimento da energia solar fotovoltaica, tanto em geração centralizada quanto distribuída, o plano contempla a expansão de 14,2 GW em usinas eólicas. No entanto, mesmo com esse avanço, a participação relativa das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira deverá ter uma leve retração, caindo de 90% em 2026 para 88,8% em 2036. Essa projeção se deve, em parte, ao aumento previsto na participação de termelétricas não renováveis, que deverão acrescentar 21,1 GW.
A intermitência das fontes renováveis, como solar e eólica, continua sendo um ponto de atenção. O plano reconhece a necessidade de maior flexibilidade no sistema, com projeções indicando a necessidade de 9,2 GW em sistemas de armazenamento, sendo 7,2 GW em baterias e 2 GW em usinas hidrelétricas reversíveis. A resposta da demanda, onde grandes consumidores são remunerados para deslocar o horário de consumo, também ganhará importância, com uma contribuição prevista de 4 GW. A ANEEL aprovou novas regras para a organização dos cortes de geração (curtailment) em casos de sobreoferta de energia, buscando otimizar os custos para o sistema e distribuir os impactos de forma mais equitativa.
Perspectivas Futuras e Oportunidades
O setor de energia elétrica e geração distribuída no Brasil apresenta um panorama de expansão e modernização até 2036. A consolidação da geração distribuída como um pilar do desenvolvimento energético, aliada a investimentos em infraestrutura e novas tecnologias, sugere um futuro com maior diversidade de fontes, maior participação do consumidor na geração e um sistema mais resiliente e sustentável. A regulamentação continuará sendo um fator chave para moldar a evolução do setor, buscando equilibrar os interesses de todos os agentes envolvidos e garantir a segurança energética do país.