Commodities Ouro e Petróleo Impulsionam Exportações Latino-Americanas em 2026
Exportações da América Latina e Caribe crescem 15,7% impulsionadas por ouro e petróleo. BID alerta para riscos de custos de fertilizantes e transporte.
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Destaques
As exportações de bens da América Latina e Caribe apresentaram um crescimento expressivo de 15,7% no primeiro trimestre de 2026, impulsionadas principalmente por commodities como ouro e petróleo.
O ouro registrou a maior alta entre os produtos básicos exportados, com um avanço de 63,9% no período, enquanto o petróleo apresentou uma elevação de 12,2%.
Apesar do cenário positivo nas exportações, a região enfrenta incertezas globais e riscos associados ao aumento dos preços de fertilizantes e transporte, que podem elevar os custos de produção e comercialização.
Commodities como motor das exportações latino-americanas
O valor das exportações de bens da América Latina e Caribe demonstrou um vigoroso crescimento de 15,7% no primeiro trimestre de 2026, superando o desempenho de 7,8% registrado em 2025. Este avanço, conforme apontado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em seu relatório "Estimativas das Tendências Comerciais – América Latina e o Caribe", é resultado tanto do aumento nos volumes exportados quanto da valorização dos preços praticados no mercado internacional.
Ouro e Petróleo em Destaque
Entre os produtos que lideram essa expansão, o ouro se sobressai com uma impressionante alta interanual de 63,9% nos preços. Outras commodities minerais, como o cobre, também apresentaram forte desempenho, com um aumento de 26,8%. O petróleo, um dos pilares da economia de diversos países da região, registrou uma elevação de 12,2% em seu valor de exportação. O relatório do BID também aponta que o minério de ferro teve um aumento de 5,7%.
Em contrapartida, alguns produtos agrícolas apresentaram retrações. O café, por exemplo, sofreu uma queda de 21,1%, e o açúcar recuou 24,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Desempenho por País e Parceiros Comerciais
O impulso nas exportações não foi homogêneo entre os países da região. A Bolívia liderou os aumentos, com um crescimento de 100,2% nas exportações no primeiro trimestre, impulsionado significativamente pela China e pelo restante da Ásia, que juntos responderam por mais de 70% do aumento total. Outros países que registraram expansões notáveis incluem Nicarágua (+42,3%), Guiana (+37%), Peru (+33,5%) e Paraguai (+19,7%). Entre as maiores economias, México (+17,9%) e Argentina (+16,9%) também apresentaram expansões relevantes.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal mercado consumidor para a América Latina e Caribe, com um crescimento de 14% nas exportações no período. No entanto, a China tem demonstrado um dinamismo crescente, com um aumento de 25% nas vendas latino-americanas para o país asiático no primeiro trimestre de 2026, tornando-se o principal motor de crescimento das vendas externas da região neste período. Outras economias também apresentaram crescimento nas importações de produtos latino-americanos, como o restante da Ásia (+24%) e a União Europeia (+19%).
Fatores que Influenciam o Cenário
O economista principal do Setor de Produtividade, Comércio e Inovação do BID, Paolo Giordano, destacou a capacidade de adaptação da região e a estabilidade de seu desempenho exportador, mesmo diante da volatilidade do comércio internacional. O relatório do BID sinaliza que a demanda crescente de parceiros chave como China, Ásia, União Europeia e Estados Unidos pode sustentar o dinamismo das exportações.
Entretanto, o cenário também apresenta riscos. O aumento dos preços de fertilizantes e de transporte pode elevar os custos de produção e comercialização, impactando a rentabilidade das exportações. A volatilidade nos preços das commodities, embora benéfica para os exportadores, pode impor pressão sobre os países importadores de energia e alimentos.
Análise de Mercado: Ouro e Petróleo
O mercado de ouro, neste ano, tem apresentado movimentos complexos. Após atingir um pico histórico em janeiro, o metal precioso viu sua cotação cair. Em 19 de junho de 2026, o ouro era negociado a aproximadamente US$ 4.151,74 por onça troy, uma queda de 1,38% em relação ao dia anterior. No último mês, o preço do ouro acumulou uma desvalorização de 8,52%, embora ainda se mantenha 23,23% acima do valor registrado há um ano. Analistas projetam que o ouro possa ser negociado a cerca de US$ 4.239,15 até o final do trimestre e a US$ 4.596,91 em 12 meses.
As razões para essa volatilidade incluem a inflação e as taxas de juros. Com o aumento da inflação americana e a perspectiva de novas altas nas taxas de juros, o ouro perde atratividade em comparação com aplicações que rendem juros. Além disso, um dólar mais forte, impulsionado pela tensão geopolítica, também tende a pressionar a cotação do ouro para baixo. Alguns bancos centrais, como Índia, Turquia e Rússia, chegaram a vender parte de suas reservas de ouro para financiar despesas militares ou defender suas moedas. Em contrapartida, o banco central chinês tem aproveitado as quedas para continuar suas compras. Há projeções que indicam que o ouro pode continuar sendo um ativo de valorização frente ao dólar e ao real em 2026, especialmente devido à consolidação do BRICS, à busca por lastro para moedas digitais e a tensões geopolíticas na América Latina, tornando a cotação do ouro uma ferramenta de proteção contra a volatilidade de moedas tradicionais.
No mercado de petróleo, o Brent, um dos principais benchmarks globais, também tem apresentado flutuações. Em 19 de junho de 2026, o Brent estava cotado a US$ 80,58 por barril, um aumento de 0,92% em relação ao dia anterior. No entanto, no último mês, o preço do Brent caiu 23,27%, mas ainda se encontra 4,64% acima do valor de um ano atrás. As expectativas dos analistas apontam para uma negociação em torno de US$ 87,96 até o final do trimestre e US$ 101,54 em 12 meses. Notícias recentes indicam que os preços do petróleo bruto Brent estavam próximos de US$ 80 por barril na sexta-feira, com tendência de queda semanal devido a um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hezbollah.
Perspectivas e Desafios para as Economias Emergentes
O relatório do BID enfatiza a necessidade de a região latino-americana implementar reformas que aumentem a produtividade, diversifiquem sua inserção externa e fortaleçam a resiliência diante de choques externos. A dependência de commodities na pauta exportadora, embora atualmente benéfica, pode tornar a região vulnerável a flutuações de preços e à volatilidade do mercado internacional.
A aceleração das importações totais da América Latina e Caribe, que cresceram 9,7% no primeiro trimestre de 2026 em comparação anual, também é um fator a ser observado. Essa aceleração foi impulsionada principalmente por compras de fora da região, enquanto o comércio intrarregional apresentou uma expansão mais moderada.
Em um contexto global marcado por incertezas, instabilidade em políticas comerciais e conflitos geopolíticos, a América Latina e o Caribe navegam por um cenário que apresenta tanto riscos quanto oportunidades. A capacidade de adaptação e a busca por diversificação econômica serão cruciais para a sustentabilidade do crescimento impulsionado pelas commodities.