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Big Techs: Garantias de IA Ocultam Passivos e Aumentam Risco para Ações nos EUA
Gigantes de tecnologia usam garantias de valor residual para financiar IA, totalizando US$ 300 bi. Mecanismo pode ocultar passivos e gerar riscos para o mercado acionário.
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Destaques
- Gigantes de tecnologia, como Meta, Broadcom e Nvidia, estão utilizando garantias de valor residual para financiar a expansão de data centers de IA, totalizando até US$ 300 bilhões em compromissos no último ano.
- Essas estruturas financeiras permitem que as empresas evitem registrar a exposição como dívida em seus balanços, mas podem ocultar passivos potenciais caso a demanda por IA diminua ou a obsolescência de hardware se acelere.
- Analistas e investidores estão cada vez mais atentos a esses compromissos fora do balanço, que aumentam a complexidade do perfil de risco dessas empresas e podem ter repercussões significativas no mercado acionário.
A Expansão Acelerada da Infraestrutura de IA
A demanda por poder computacional para treinar e operar modelos de inteligência artificial nunca foi tão alta. Para atender a essa necessidade crescente, as Big Techs têm investido pesadamente na construção e expansão de data centers. No entanto, os custos associados a essa infraestrutura são astronômicos. Estima-se que o capital expenditure (Capex) dos hyperscalers — as maiores empresas de computação em nuvem e tecnologia — possa atingir US$ 697 bilhões neste ano, um aumento significativo em relação aos anos anteriores.
Para financiar essa expansão sem sobrecarregar seus balanços com dívidas diretas, empresas como Meta, Broadcom e Nvidia recorreram a mecanismos financeiros inovadores. Um exemplo proeminente é o uso de "garantias de valor residual". Segundo o Financial Times, essas garantias, que somam até US$ 300 bilhões em compromissos no último ano, permitem que as empresas respaldem dívidas emitidas por veículos de propósito específico (SPVs), que, por sua vez, financiam a construção e aquisição de ativos para data centers e chips de IA.
O Mecanismo das Garantias de Valor Residual
Essas garantias funcionam como um seguro para os investidores que financiam os SPVs. A empresa de tecnologia garante um valor mínimo futuro para os ativos (como equipamentos de computação ou data centers). Se, no momento da venda ou liquidação, o valor de mercado desses ativos for inferior ao valor garantido, a empresa de tecnologia pode ser obrigada a cobrir a diferença.
A Meta foi pioneira nesse modelo, utilizando garantias para um grande projeto de data center no ano passado. Subsequentemente, a Broadcom empregou estruturas semelhantes para apoiar vendas de chips ligadas à Anthropic, e a Nvidia ofereceu respaldo para infraestrutura que atende à OpenAI e outros clientes. A Meta, por exemplo, prestou cerca de US$ 28 bilhões em garantias para seu projeto Hyperion, que apoiou aproximadamente US$ 27 bilhões em dívidas do projeto. A Nvidia, por sua vez, ofereceu garantias de até US$ 105 bilhões ligadas a um desenvolvimento de data center para a OpenAI.